CULTURA DIGITAL E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA- Preparados para o futuro?

É verdade que a educação a distância aliada à tecnologia está ganhando cada vez mais espaço no mundo moderno. Isso é incrível! mas se pararmos para pensar, isso não é algo novo, não. Estamos o tempo todo conectados, interagindo, nos informando, conhecendo novos amigos e, inclusive, novos amores. Isso nos faz lembrar de um trecho de um belíssimo poema da Cecília Meireles “De longe te hei de amar – da tranquila distância em que o amor é saudade e o desejo, constância.”

Mas a nossa pauta de hoje não estará relacionada a ideia da distância poética amorosa da Cecília Meireles, e sim das possibilidades do avanço da internet que nos permitiram repensar a educação dos novos tempos.

Desde a primeira geração da educação a distância, que utilizava o ensino por correspondência, até os nossos dias, essa modalidade tem se apropriado de tecnologias que tomam possível a construção do conhecimento, apesar da distância física. Alguns estudiosos costumam dizer que vivemos numa quarta geração, embora alguns já falem em quinta e numa possível sexta, cuja principal característica são as Tecnologias da Informação e Comunicação, as chamadas TICs.

Inovadoras pela interatividade e possibilidade de sincronia, as TICs revolucionaram a educação e a forma como vemos a educação a distância, justamente porque a distância, que é a principal característica dessa modalidade, está cada vez mais superada.

É, até agora vimos o quanto ela é importante para as nossas necessidades educacionais. É mais importante ainda para a formação dos nossos professores, pois eles ocuparão papéis importantíssimos na educação e não podem ignorar as ferramentas EAD, que são tendências até mesmo na educação presencial.

Visto que a educação é um direito que deve alcançar a todos e o Brasil é um país com uma extensa área geográfica, percebe-se neste ponto uma problemática, ou seja, como permitir o acesso à educação de brasileiros que não residem em cidades de grandes centros?

Diante dessa problemática, surge como resposta a modalidade de educação a distância. Modalidade esta em que o Art.80 da LDB9304/96 representou marco significativo para o desenvolvimento, regulação, avaliação e supervisão da EAD em todos os níveis da educação brasileira.

E também é importante lembrar que o citado artigo acima passou por três regulamentações, em que a primeira foi o Decreto nº 2.494 de 1998 (revogado), a segunda regulamentação foi o Decreto5.622/05 que trouxe em sua redação no que tange aos seus cinco capítulos, algumas disposições como: exigência de encontros presenciais para estágios, apresentação do TCC, atividades laboratoriais, se previstas no programa do curso (art.1), possibilidade de se oferecer EAD em qualquer nível educacional (art.2) e a validade dos diplomas EAD será nacional (art.5). Convém lembrar que a portaria mais recente sobre a temática é a 1134/2016 e por fim, a terceira e mais recente regulamentação do Art.80 é o Decreto 9.057/17.

CULTURA DIGITAL

A cultura digital na educação começou nos anos 70, na Conferência Nacional de Tecnologia Aplicada ao Ensino Superior, que aconteceu no Rio de Janeiro, 14 a 19 de junho de 1971. A partir de então, houve uma explosão de acontecimentos que influenciaram na difusão do uso de recursos tecnológicos direcionados ao ensino, primeiramente estabelecimento de políticas públicas que respaldassem o trabalho.

A transformação digital representa a nova Era, o tempo em que a educação digital era distanciada da nossa realidade, já passou. Hoje em dia, está presente nas áreas educacional, profissional, organizacional e mesmo de desenvolvimento pessoal.

O aluno, por exemplo, precisa estar sempre motivado. Conforme Almeida (2000, p. 79) é preciso criar um ambiente que favoreça a aprendizagem significativa ao aluno, “desperte a disposição para aprender (Ausubel apud Pozo, 1998), as informações precisam estar disponibilizadas de forma organizada e interessante”. É necessário que este aluno possa dominar a tecnologia do ambiente virtual, para que não desista e não se sinta incapaz de continuar. E para isso esses recursos precisam estar próximos dos que o mesmo já utiliza no seu dia a dia

Não há mais como discordar da importância do ensino a distância e da importância das TICs para a concretização desse processo. Essa interação, de forma humanizante, já faz parte do processo evolutivo da educação. Visto que o mesmo é interativo, há desafios impostos na implantação e desenvolvimento das TICs nas instituições de ensino na modalidade de Educação a Distância (EAD).

REFERÊNCIAS

SARAIVA, Terezinha. EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO BRASIL: lições da história. INEP. Em Aberto, Brasília, ano 16, n.70, abr./jun. 1996. Disponível em . Acesso em: 01 nov. 2018.

SCATOLIM, Roberta Lucas et al. Legislação e tecnologias assistivas: aspectos que asseguram a acessibilidade dos portadores de deficiências. InFor, Inov. Form., Rev. NEaD-Unesp, São Paulo, v. 2, n. 1, p. 227-248, 2016. Disponível em < file:///C:/Users/Akila%20Carvalho/Documents/334-1197-2-PB.pdf> . Acesso em 09 nov.2018.

https://eademfoco.cecierj.edu.br/index.php/Revista/article/view/388

Um flâneur com Walter Benjamin

Para os filósofos, seu trabalho era literário demais; para os críticos literários, era excessivamente sociológico. O pensador que nos ajudará a refletir, ou melhor, exercitar a nossa “imaginação sociológica” é o ensaísta, crítico literário, filósofo e sociólogo da cultura Walter Benjamin.

Esse pensador de origem judaica deixou um grande legado e ao mesmo tempo um grande desafio paras os estudos sociológico. Diferente de outros autores, Benjamin nos deixou uma obra difícil classificação, uma vez que se prontificou a escrever sobre diversos temas, e muitos de seus textos jamais foram concluídos.

Podemos dizer que o Walter Benjamin não foi um cientista social no sentido estrito da palavra, embora tivesse inspirado autores da primeira geração da escola de Frankfurt, a começar pelos autores Theodor Adorno e Max Horkheimer. Juntos, esses autores discutiram um tema que já vinha sido trabalhado por Benjamin, a Indústria Cultural e as Culturas de Massas.

Reconhecemos que seus ávidos críticos tiveram razão quando o acusaram de ter sido muitas vezes incoerente. Suas obras dispersivas e fragmentadas causavam espantos na academia quanto admiração. Mas é preciso entender que, para a época, a reflexão crítica sobre os brinquedos, a fotografia, a poesia, o cinema, a prostituta, o flâneur, era irrelevante. Portanto, a essência dos estudos de Benjamin está justamente na sensibilidade de observar a vida da modernidade e seus agentes em face da estrutura da metrópole.

Flâneur

Do verbo francês Flâner, que significa ” passear”, ” caminhar sem rumo, sem destino”. É aquele que caminha pelas ruas da cidade, experimentando as sensações que elas produzem. Foi com a definição dessa palavra, inspirado pelo Charles Baudelaire, que Benjamin encontrou a forma para definir os estilos e o ritmo da vida na modernidade.

Entre os asfaltos parisienses e os passantes, ao londo das grandes ruas de Paris, via-se uma nova paisagem social- as vitrines, os detalhes e uma nova dinâmica social de consumo.

Imagem: The Flaneur Abroad ( Nottingham, 6-7 jul 12)

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A CAPITAL DO SÉCULO XIX

O nosso passeio com Benjamin começa na cidade de Paris, cidade que ele próprio definiu como ” a capital do século XIX. Juntos, nos aproximaremos em alguns inventos tecnológicos que alteraram , segundo nosso autor, profundamente a maneira do homem europeu de se relacionar com a “realidade”. Essas alterações estão relacionadas ao surgimento de novos valores e novos padrões de convivências do povo francês.

O surgimento do cartaz é um dos fatores que chama a atenção de Benjamin. Observa que o surgimento desse instrumento está intimamente ligado às novas culturas urbanas, e está, sobretudo, associada ao consumo de produtos.

A disseminação dos cartazes e outdoors que divulgavam espetáculos, produtos e ideias pelos muros de Paris fizeram com que Walter Benjamin refletisse sobre uma nova sociedade de consumo.

Embora o primeiro cartaz tenha sido produzido somente em 1454, feito em manuscrito por Saint-Flour, é no final do século XIX que ele ganha maiores projeções.

Famoso por retratar a vida boêmia parisiense, Henri de Toulouse-Lautrec nos mostra em seu cartaz “Jane Avril” a vida social agitada da sociedade francesa.

Na obra “Jane Avril” O artista anuncia um show de cabaré no Jardin de Paris em 1893.

Imagem: Henri de Toulouse-Lautrec -, Jane Avril, 1893 – litogravura colorida – 129,1 x 93,5 cm

A maior parte da reflexão de Benjamin sobre a modernidade se encontra no livro Passagens. Nele, o autor julgou as passagens de Paris como algo muito importante. A partir da capital, as galerias comerciais passam a exercer uma profunda transformação. Para ele, as passagens eram como um “mundo em miniatura”, pois se concentravam ali diferentes tipos de mercadorias, principalmente das colônias francesas.

Um outro fator que entra no conceito de um” mundo em miniatura” é simplesmente as várias contradições de um sistema capitalista virgente.

Benjamin nos mostra a contradição entre a fartura e a carência, entre metrópole e colônia, entre o tempo útil de um produto consumido e o tempo efêmero da moda, entre os que podiam entrar para consumir e os que ficavam do lado de fora com os olhos admirados pelas novidades. Seria, nas palavras do nosso autor, um show de exposição de produtos e corpos.

“Cada um é o carro que dirige.”

Autor: Frank Lenita

E se o nosso pensador alemão aportasse no Brasil do século XXI, o que teria a nos dizer sobre o nosso padrão de consumo?

Sem dúvida, ficaria tonto- afinal, em um país grande e diverso, não é tarefa simples indentificar os padrões de consumo da população. No Brasil, o consumo relaciona-se diretamente a posições sociais: ao consumirmos certos produtos revela-se algo importante sobre o nosso status, sobre o lugar que ocupamos ou o que gostaríamos de ocupar na hierarquia social brasileira.

Associar a marca de um produto a determinados grupos sociais, é o que o Pierre Bourdieu chamou de distinção de consumo: classificando as pessoas pelo bem que elas portam. ” Cada um é o carro que dirige”.

As propagandas de produtos e serviços veiculadas pela mídia revelam aspectos que estão em processo de transformação. Nas campanhas, por exemplo, encontramos comportamentos direcionados para grupos étnicos, segmentos sociais, faixas etárias etc. Essas campanhas estimulam o público-alvo a consumir o produto anunciado.

Certamente, Walter Benjamin se surpreenderia com o processo de transformação do cartaz e da evolução constante das vitrines comerciais, ainda que observasse as diferenças de grupos sociais em espaços específicos de consumo.

A mulher parisiense e o padrão de consumo

As passagens eram espaços frequentados sobretudo pelas mulheres de família aristocráticas. Porém, é importante ressaltar que durante muito tempo, e ainda nos dias atuais, as mulheres estiveram associadas ao espaço doméstico. A circulação da mulher em meio a sociedade caracterizava-se como algo absurdo, mesmo as mulheres mais pobres, que trabalhavam fora, não era permitido. Uma mulher “de família” ou uma mulher “de bem e conservadora”, com um sobrenome a zelar , não andava também em qualquer lugar.

Somente um tipo de mulher poderia andar pelas ruas, a prostituta. Isso deve-se ao fato de terem sido vistas como “mercadorias”, e que deveriam ser “expostas” para o consumo masculino. Portanto, as passagens parisienses vieram garantir às mulheres um espaço seguro onde poderiam transitar sem nenhum problema.

Até aqui pudemos perceber o quanto o nosso autor alemão se mostrou sensível às mudanças de comportamento das mulheres e da sociedade patriarcal em relação a elas. Quando analisamos o período da Revolução Industrial e o protagonismo feminino na sociedade europeia, as mulheres das camadas menos favorecidas encontraram-se diante de uma necessidade de sobrevivência. O trabalho era elemento vital para manter-se estável. É nesse momento que elas saem de casa com a família para ganhar o sustento da casa nas grandes fábricas de manufaturas.

É fato que, ao longo de sua obra, Walter Benjamin manteve uma contínua preocupação com as transformações ocorridas em nossa maneira de perceber o mundo. As novas tecnologias alteraram a nossa maneira de perceber a vida ao nosso redor, e isso é, de certa forma, incontestável. Em A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica, Benjamin tenta responder a essas questões, afirmando que o progresso das técnicas de reprodução e as alterações da percepção começaram com a fotografia e consequentemente com o cinema.

O daguerreótipo, primeira câmera fotográfica, lançada em Paris, em 19 de agosto de 1839.

Um exemplo disso é a questão da originalidade. Ao contrário da pintura, a fotografia não tem propriamente um “original”. Ela fez circular imagens de paisagens, de pessoas, objetos, mas também de obras de arte que só podiam ser contempladas por uma minoria e por isso pareciam envoltas em uma espécie de “aura”.

Graças à reprodução fotográfica, a Monalisa de Leonardo da Vinci se tornou muito presente no imaginário das pessoas em vários lugares do mundo. Podemos, por exemplo, estampá-la na camisa, nas xícaras, almofadas, tudo graças a fotografia e a tecnologia.

Portanto, Benjamin estava interessado em pensar sobre as alterações ocorridas não apenas na reprodução das imagens, mas também nas formas de perceber o mundo. As novas tecnologias chamaram a atenção de Benjamin porque além de oferecer respostas às necessidades do cotidiano, contribuíram para alterar a apreensão do indivíduo.

REFERÊNCIAS

BENJAMIN, Walter. Passagens. Edição brasileira: Willi Bolle (Org.). Belo Horizonte: Editora UFMG; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2007.p.94
Tempos modernos, tempos de sociologia / coordenação Helena Bomeny, Bianca Freire-Medeiros. – São Paulo: Editora do Brasil, 20010.

O romance brasileiro- Identidade Nacional e o Indianismo na Literatura.

Foto: TV Globo

Após a Independência do Brasil (1822), uma seguinte dúvida pairaria no ar: o que é ser brasileiro? o que é o Brasil? O romance, ao surgir dentro desse contexto, toma para si o importante compromisso de estabelecer a identidade, língua e a cultura brasileira. É chegada a hora de “redescobrir” o país através de uma literatura independente.

O principal objetivo dos romancistas era a criação de um projeto de construção de uma cultura autônoma. Esse projeto, no entanto, exigia dos escritores da época um reconhecimento da identidade da nossa própria gente, da cultura e tradições que já se encontravam estabelecidas. Ou seja, tudo que constitui o ser brasileiro, seria objeto de valorização na arte literária.

O romance voltou-se para os seguintes espaços: a selva, o campo e a cidade.

É dentro dessa visão do espaço nacional que, respectivamente, surge o romance indianista e o romance regional com enfoque na vida rural e urbana. A maior voz da literatura romântica é José de Alencar. O escritor de O guarani, que é uma obra histórico-indianista, destacou-se também nos aspectos romance regional (O gaúcho) e no romance urbano com a obra Senhora.

O herói Nacional está na Mata.

Se do outro lado, no continente europeu, podemos dizer que o cavaleiro medieval era idealizado na literatura romântica, aqui no Brasil, os escritores viram na personagem indígena como único e legítimo representante da América. No entanto, não caberia ao negro, pois esse era visto como mão de obra escravizada, nem ao branco, visto que esse se identificava como colonizador.


Autores e Obras do Indianismo

José de Alencar (1829-1877) foi o principal romancista brasileiro da fase romântica. Autor das principais realizações de obras indianistas em prosa na nossa literatura são:

Iracema (1865), O guarani (1857) e Ubirajara (1874).

Antônio Gonçalves Dias (1823-1864), grande nome do romantismo brasileiro e o maior na poesia.

I-Juca Pirama (1851), Marabá ( 1851), Canção de Exílio (1843) e Seus olhos.

José Basílio da Gama (1741-1795) foi um poeta luso-brasileiro e autor do poema clássico O Uruguai, de 1769.

Afinal, o que são as Tipologias Textuais?

Primeiramente, para a compreensão das tipologias textuais, se faz indispensável abordar o processo dinâmico das relações sociais, e por consequência os atos comunicativos nos quais estamos inteiramente envolvidos. Todo texto, no entanto, tem uma estrutura, e essa estrutura damos o nome de tipologia. Existe, contudo, cinco tipos de textos que apresentam características e nos quais o autor pode expor a sua intencionalidade ao escrever o texto. Essas finalidades comunicativas e que são objetos de estudo da tipologia textual:

  • Dissertativo: expor uma ideia, argumentar, dissertar. Podemos deixar bem claro nossa opinião, ponto de vista, persuadir e fazer com que o interlocutor possa analisar, refletir, concordar ou discordar do ponto de vista abordado. Um tipo de texto muito rico em ideias e conhecimentos.
  • Narrativo: narrar, contar história (fictícia ou real); Podemos relatar ou expressar emoções, ideias, imaginações, realidades, lições, registro de fatos, enfim…
  • Descritivo: descrever, texto no qual se aponta as características da história; Exige riqueza de detalhes que possibilitem ao leitor imaginar a realidade ou mesmo complementá-la com sua criatividade e interagir com o texto.
  • Injuntivo: verbos predominantemente no imperativo que indicam orientação ou ordem, receita culinária, manual de instruções;
  • Expositivo: verbetes de enciclopédia, seminário, reportagens e editoriais (apresenta informações com linguagem objetiva e com predomínio da 3ª pessoa).

Todas as construções textuais estão relacionadas as suas tipologias, pois referem-se ao estilo da escrita argumentativa do fato narrado, o que leva a definição de seu estilo literário. Estes estilos podem ser utilizados isolados ou em conjunto fazendo uma mesclagem de tipologias, para Travaglia (2007) não existem tipos puros de textos e sim a conjunção tipológica, onde no mesmo texto podemos encontrar várias tipologias. O que existe em muitas escritas é a questão de dominância tipológica.

O que os autores querem mostrar em suas escritas dependem a que finalidade se destina, estipulando assim a dominância tipológica e a estrutura textual, que irão conduzir as escrituras a que se designam.